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Devoção aos Santos


"Jesus Cristo é  honrado quando penetramos na vida dos santos, porque eles tiveram uma unidade perfeita com Deus. Uma devoção autêntica por um santo, sem pieguices e sem superstições, inevitavelmente leva ao encontro pessoal com Cristo Eucarístico."

São Pedro Julião Eymard

Vos Fortificar




"Considerai a Comunhão um meio de vos sustentar, de vos fortificar, e não um ato de virtude elevada e difícil."

São Pedro Julião Eymard

Grande Suplicante




"Contemplai Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento; está sempre a orar. É o grande suplicante da Igreja, e obtém mais por sua oração do que todas as criaturas juntas. Jesus porém reza no aniquilamento."

São Pedro Julião Eymard

A Eucaristia é presença real

Olá, vi este post no Blog Ecclesia Una e pedia autorização e coloquei aqui para vocês


http://blog.cancaonova.com/elianaribeiro/files/2007/09/ostensorio.jpg  Everth,

Sinceramente, agora, vou tocar num assunto que até pouco tempo pensava que se tratava apenas de um nome diferente dado à Santa Ceia. Aliás, foi nesse blog que percebi que era bem mais que isso. Na Eucaristia, pelo que entendi, na cerimônia, “o pão e o vinho” são literalmente o “corpo e o sangue” de Cristo?
Não, não é possível! Até um ateu, sem o mínimo de percepção espiritual, ao deparar com essa colocação, ficaria confuso. Não é possível, Everth, que nalgum momento você não se perguntou acerca. Pesquise e veja quando, como e por que, a Ceia do Senhor foi substituída pela Eucaristia. Já reparou que a Doutrina Romana é totalmente adversa, contrária aos ensinamentos bíblicos (…)?
Ta na hora de refletir sobre isso.
(…)
- Marcelo, em comentário ao artigo Mentiras Adventistas
9 de março, às 8h27min
Escândalo. Quando Jesus disse aos judeus que se eles não comessem a carne do Filho do Homem e não bebessem o seu Sangue, não se salvariam (cf. Jo 6, 53), todos se escandalizaram: “Isto é muito duro! Quem o pode admitir?” (Jo 6, 60) Mas, é verdade, segundo as próprias palavras de Cristo e segundo o entendimento dos apóstolos. No momento em que o celebrante consagra o pão, toda a substância ali presente se torna verdadeiramente o Corpo de Cristo. Quando o celebrante consagra o vinho, toda a substância do vinho se torna Sangue de Nosso Senhor.
Absurdo. Claro, pois o mundo moderno, admirador do empirismo e do materialismo, que nega a existência de milagres, não pode de modo algum aceitar essa realidade. Primeiro, o medo da verdade e de que se conteste aquela ideia de que “todas as religiões levam à salvação”. Se a Eucaristia é realmente o Corpo de Cristo e se somente a Igreja Católica celebra esse sacramento da maneira como está descrita nas Sagradas Escrituras, então só há uma fé verdadeira: justamente, a católica. Depois, o pensamento errado de que a fé talvez pudesse contrariar a razão; como se Deus não pudesse realizar milagres e seu poder estivesse limitado às leis da razão.
A pergunta do homem moderno é justamente a que fez o Marcelo: “Na Eucaristia, o pão e o vinho são literalmente o corpo e o sangue de Cristo?” Sim, são. Na Eucaristia, está o Corpo e Sangue de Nosso Senhor. As palavras de Cristo para concretizarem a verdade do sacramento são claras e diretas: “A minha carne é VERDADEIRAMENTE uma comida e o meu sangue, VERDADEIRAMENTE uma bebida” (Jo 6, 55). Não, não é uma metáfora. A Eucaristia não é uma celebração da libertação de um povo, como querem que o seja os teólogos da libertação; a Eucaristia não é somente a celebração de um ato de amor e justiça, de paz e esperança; não é somente lembrar a memória da Paixão de Nosso Senhor. Pode ser tudo isso, mas também é a Presença verdadeira de Jesus.
Será que os apóstolos entenderam o recado de Nosso Senhor? Será que celebravam a Ceia conforme Jesus Cristo lhes ditou? De fato, a Escritura comprova que sim. Para lembrarmo-nos de como deveriam os apóstolos celebrar a Eucaristia, voltamos à noite da Quinta-Feira Santa, quando Jesus teve com seus discípulos pela última vez antes de sua Paixão. Diz Ele, pegando o pão: “Isto É o meu corpo” (Lc 22, 19). Nunca as palavras de Jesus foram tão claras. Certamente, naquele momento, os doze se lembraram do discurso do Pão da Vida, em que Ele havia dito que a carne dele era, de fato, uma comida. Naquele momento, as palavras de Jesus alcançavam plenitude. Não eram palavras vãs; eram verdades que Jesus viria a celebrar posteriormente, certamente concluíram os apóstolos.
“Fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19). Jesus pede que os apóstolos celebrem constantemente esse ato, em sua memória. O fato do Mestre pedir aos seus discípulos para que celebrassem a Ceia novamente não reduz ou minimiza o fato de que aquele alimento que até então era pão havia se tornado o Seu Corpo; e que aquela bebida que te então era vinho tinha se tornado Seu Sangue. Hoje, na Igreja, celebramos a memória da Paixão de Nosso Senhor através do Sacrifício da Santa Missa. Nela, acontece o milagre da transubstanciação. Toda a substância do pão convertida em Corpo de Cristo; toda a substância de vinho, em Sangue, conforme exorta o Sacrossanto Concílio de Trento.
Mas a celebração desse mistério salutar é muito antiga. De fato, a Bíblia relata que os apóstolos, já no primeiro século, mantinham obediência às palavras do Cristo. Conta-nos São Paulo: “Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu Corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim.” (1 Cor 11, 23-24). Ou seja, os apóstolos já tinham consciência de que era necessário celebrar a Santa Ceia. Mas não só isso. Eles também já eram conscientes de que “aquele que come [o pão] e bebe [o vinho] sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação” (1 Cor 11, 29). Ou seja, eles já sabiam que a presença de Cristo na Eucaristia era real, verdadeira.
E, por acaso, foram eles que inventaram essa presença? Não. “Eu recebi do Senhor o que vos transmiti”. Eis a regra da fé: fidelidade. Não foi São Paulo quem inventou o rito litúrgico; não foi Constantino que estabeleceu a presença de Cristo na Eucaristia; não foi o Concílio de Trento o primeiro a mostrar essa verdade de fé. Toda a história da Tradição da Igreja mostra uma constante obediência às Palavras de Cristo. A Eucaristia não é mera simbologia. De fato, Cristo não disse que o pão representa o seu Corpo; ou que o vinho representa seu Sangue. Ele disse que É. E falou isso claramente aos judeus, aos apóstolos, tornando-se inclusive sinal de escândalo. “Como esse homem nos dará a sua carne para comermos?” (cf. Jo 6, 52), perguntavam os pérfidos.
Isso vos escandaliza? (Jo 6, 61), pergunta Jesus ao homem moderno, contaminado pelo ceticismo arrogante e pela insensatez. A partir daquele momento, “muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam mais com ele” (Jo 6, 66). Quereis vós também retirar-vos? (Jo 6, 67) Vós, meus discípulos, também quereis seguir o espírito do mundo e ir contra os meus ensinamentos? Quereis também seguir o cientificismo do mundo moderno, que rejeita as verdades de fé da Igreja?
Está na hora de tomar uma firme decisão de fé, de adesão a Deus e às suas palavras. Mas, é preciso adesão à Palavra, pura como está na Sagrada Escritura, reafirmada pela interpretação do Magistério da Igreja; nada de distorções. Que a Virgem Maria, Mãe da Eucaristia, nos ajude a estarmos sempre mais próximos do Corpo e Sangue de Cristo, presentes no altar sob as espécies do pão e do vinho.
Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Oração Continua




"Jesus no Santíssimo Sacramento permanece em oração continua, contemplando sem cessar a glória de seu Pai e intercedendo por nós (cf. Hb 7,25), a fim de nos ensinar que na oração está o segredo da vida interior."

São Pedro Julião Eymard

Aproxima-te



"Aproxima-te, portanto, da Santa Eucaristia, de Jesus oculto, vítima perpétua de amor, teu pão vivo, e, a seus pés, encontrarás a graça, a força do bem, a luz e o amor!"

São Pedro Julião Eymard

Adorar é um diálogo de amor

"A oração é um trato de amizade com Deus" nos ensina Santa Teresa. Adorar a Deus em espírito e em verdade é fazer a experiência de buscar o Senhor por amor, reconhecer que já não podemos caminhar sem esse amor. Ele nos seduziu, nos atraiu para si e agora é impossível viver sem o seu amor.

Quando compus a música juras de amor, meu coração estava inflamado de amor por Deus. Vivi a experiência do profeta Jeremias: o Senhor me seduziu! Minha alma e todo o meu ser não sabem fazer outra coisa senão amar a Deus. O coração dos adoradores não tem outra motivação para a oração senão o amor a Deus. É o amor a Deus que nos impulsiona, nos move.

Adorar é, portanto um diálogo de amor. A adoração é um Dom de Deus e não um esforço nosso. O primeiro passo sempre é de Deus. É ele quem toma a iniciativa de estar conosco, de se relacionar conosco para estabelecer uma relação íntima, de amizade. Por isso, a adoração não só é um desejo do nosso coração, mas, mais do que isto, é um desejo de Deus.

Seu irmão,
Monsenhor Jonas Abib
Original em: http://www.cancaonova.com/portal/canais/pejonas/pejonas_msg_dia.php

É o Amor que O mantém prisioneiro


"Jesus está no Sacramento da Eucaristia e é o amor que o mantém prisioneiro como uma vítima sempre disposta a ser imolada para a Glória do seu Pai e para a nossa salvação. A sua vida é totalmente escondida aos olhos do mundo e só é percebida nas pobres e humildes aparências do Pão e do Vinho (...). Jesus está sempre sozinho no Santíssimo Sacramento. Não deixem nunca de comungar, não poderíamos dar maior alegria ao demônio, nosso inimigo!"

Santa Margarida Maria Alacoque
Hoje é dia da Santa Margarida Maria Alacoque!



A mensagem que a monja da Visitação recebeu contém as chamadas “doze promessas do Sagrado Coração”, nas quais Jesus revela as graças vinculadas a essa devoção. O Amor ao Sagrado Coração de Jesus é estreitamente ligado ao amor à Eucaristia.


A 12ª promessa assim fala: "A todos aqueles que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna" (Carta n. 86).


Bento XV fala sobre essa devoção: “A Igreja quer estimular os fiéis ainda mais a que se aproximem com confiança deste Santo Mistério e a consumar sempre no coração as chamas daquela divina caridade da qual ardia o Sagrado Coração quando, no seu infinito amor, instituiu a Santa Eucaristia”


Que hoje possamos dizer como como a Santa "Tudo pela eucaristia: nada para mim! "


Santa Margarida Maria Alacoque, rogai por nós!

São Francisco e a Eucaristia

Dia 4 de outubro é dia de São Francisco, como sempre estou um pouco atrasado, mas desta vez consegui um texto interessante, em minha diocese (Taubaté) ele é padroeiro, com o titulo de São Francisco da chagas.


Abaixo coloco um trecho do texto, que achei no site dos Frades Menores Capuchinhos da província portuguesa, o texto explica um pouco de como viveu e ensinou nosso querido e amado Frade de Assis a devoção e adoração a Nosso Senhor Jesus Cristo presente no Sacramento Eucarístico.


Se deliciem, aprendam, vivam e inflamem vossos corações.
 ...
A experiência da presença de Cristo


Na narração da última Ceia, São João deu especial realce ao gesto do lava-pés (Jo 13,3-1). Não porque as palavras proferidas por Jesus não fossem importantes (eram-no, seguramente), mas porque preferiu realçar aquele gesto que, embora se enquadrasse de algum modo nos ritos próprios da ceia pascal judaica, primava pela originalidade na medida em que quis lavar aos seus discípulos não as mãos, como era hábito, mas os pés – uma acção própria dos escravos, a indicar que o serviço aos irmãos é também um memorial da sua presença.
Ao escrever a forma de vida que desejava para os seus irmãos, Francisco vai usar precisamente esta passagem do Evangelho de São João, convidando-os à menoridade que se deve traduzir por gestos como o de lavarem os pés uns aos outros.[5] Tinha compreendido que a Eucarístia, onde o Senhor está «presente de um modo verdadeiro, real e substancial, com o seu corpo e o seu sangue, com a sua alma e a sua divindade»[6], como havia prometido aos seus discípulos[7], deve levar o cristão a um sério compromisso com os pobres.
Francisco percebeu que Jesus está presente de um modo muito especial sob as espécies eucarísticas, como se manifesta na reverência que tinha para com o Santíssimo Sacramento[8], as Igrejas[9] e os Sacerdotes[10]; mas percebeu também a presença simbólica do mesmo Jesus onde estiverem reunidos dois ou três em seu nome,[11] nos pobres, nos leprosos e nos presos, nos mais pequeninos e nas mais humildes criaturas.[12] Vejamos.
A presença real de Cristo na Eucaristia
Depois da fração do pão, durante a última Ceia, Jesus convidou os seus discípulos a repetirem aquele mesmo gesto em sua memória[13]. Tal gesto foi acolhido com obediência e gratidão por Francisco de Assis, que dizia:
«O pão nosso de cada dia, o teu dileto Filho nosso Senhor Jesus Cristo, nos dá hoje, para memória, e inteligência e reverência do amor que nos teve, e de quanto por nós disse, fez e suportou.»[14]
Francisco «jamais deixava de ter presentes, em aprofundada contemplação, […] a humildade da Encarnação e a caridade da Paixão»[15] e exortava os irmãos a acreditarem, pela fé, na presença real de Cristo na Eucaristia[16], que «agora se mostra a nós no pão sacramentado»[17], presente «como auto-dom de si mesmo».[18]
Francisco «ardia de amor em todas as fibras do seu ser para com o Sacramento do Corpo do Senhor e […] comungava com tal devoção que tornava devotos os que o viam.»[19] Queria que os seus irmãos participassem todos os dias na Eucaristia[20]porque, dizia ele, «ninguém se pode salvar sem receber o santíssimo Corpo e Sangue do Senhor»;[21] mas, ao saber que vários sacerdotes celebravam várias missas por dia apenas por dinheiro, pediu, na Carta a toda a Ordem, que se celebrasse apenas uma missa por dia em cada comunidade e que nas comunidades em que houvesse vários sacerdotes os outros se contentassem em ouvir a missa daquele que celebrava.[22]
Francisco «consagrava a Cristo um amor tão vivo […] que parecia sentir fisicamente diante dos olhos a presença contínua do Salvador»,[23] percebendo que é sobretudo no sacrifício eucarístico, nessa constante doação do seu próprio Filho ao homem, que Deus se manifesta como Amor, Sumo Bem.[24] O Cristo presente na Eucaristia é o mesmo que está nos céus, sentado à direita do Pai[25], «a contemplar os que se aproximam devidamente do seu tabernáculo».[26] Na comunhão do Corpo do Senhor, Francisco viu o «alimento por excelência de toda a santidade».[27]
A reverência para com o Santíssimo Sacramento
Encontramos em quase todos os escritos de São Francisco o apelo à reverência pelo Santíssimo Sacramento. Na Carta a toda a Ordem, pede-o especialmente aos seus irmãos:
«E por isso a todos vós, irmãos, imploro no Senhor, beijando-vos os pés e com quanta caridade eu posso, que presteis toda a reverência e toda a honra que puderdes, ao santíssimo Corpo e Sangue de nosso Senhor.»[28]
A alguns movimentos heréticos que negam «a presença real de Cristo sob as espécies, fora da celebração»,[29] Francisco responde com um amor muito grande ao santíssimo Sacramento. Esse amor a Cristo, presente em todas as igrejas do mundo,[30] é que o levava a não suportar vê-l’O em lugares indignos, em igrejas sujas e descuidadas. Aliás, o «testemunho mais eloquente dessa fé concreta e realista de Francisco [na eucaristia] é talvez a sua extrema suscetibilidade para com as faltas de respeito ao Sacramento.»[31]
Ainda no mundo, antes da sua entrega total a Deus, comprava objetos «que servissem de adorno das igrejas e fazia-os chegar secretamente aos sacerdotes pobres»;[32] e quando saía pelas aldeias, levava consigo uma vassoura para varrer as igrejas e capelas por onde passasse.[33]
O seu respeito para com o Santíssimo Sacramento era tal que,
«Um dia, teve a ideia de enviar os irmãos pelo mundo com píxides preciosas, com a missão de colocarem o mais dignamente possível esse divino penhor da nossa redenção onde vissem que o conservavam com pouca reverência e decoro.»[34]
Mas esse respeito não o movia apenas a um cuidado muito grande com a limpeza das igrejas, das alfaias sagradas e das píxides; também o levava a preparar-se, por meio de uma contínua purificação interior, para comungar o Corpo do Senhor do modo mais digno possível.
Francisco tinha bem presente a advertência de São Paulo: «todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Portanto, examine-se cada um a si próprio e só então coma deste pão e beba deste vinho; pois aquele que come e bebe, sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação».[35] Daí não se cansar de a repetir nos seus escritos, convidando «todos os cristãos, religiosos, clérigos e leigos, homens e mulheres»,[36] e ainda «todas as autoridades e cônsules, juízes e reitores, em qualquer parte da terra»[37] a fazerem penitência e a receberem o Corpo do Senhor com humildade e veneração.[38]
Grandemente preocupado com a ignorância e o pecado de alguns,[39] escreveu aos sacerdotes que entretanto a ele se juntaram:
«celebrem o verdadeiro sacrifício do Corpo e Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, com santa e pura intenção, e não por qualquer motivo terreno, nem[…] para agradar aos homens. Ó miséria grande, ó miseranda fraqueza, terde-lo vós assim presente, e ocupardes-vos de qualquer outra coisa do mundo!»[40]
O respeito pelos sacerdotes 
Apesar do que se disse acima acerca do comportamento pouco correto de muitos sacerdotes no tempo de São Francisco, uma das grandes novidades do movimento nascido com o Santo de Assis foi, precisamente, o enorme respeito pelos sacerdotes.
Acreditamos que «foi a fé na Eucaristia que lhe inspirou uma gratidão profunda para com os sacerdotes, ministros do inefável sacramento.»[41] Quando movimentos heréticos como o dos Cátaros, de que já falámos, questionavam a validade da Eucaristia celebrada por sacerdotes “indignos”, Francisco mostrou um amor e uma reverência muito grande para com eles, recomendando aos seus irmãos: «dissimulai as suas quedas, supri as suas muitas faltas e, quando isto houverdes feito, mais humildes sereis.»[42]
Era seu desejo que se tivesse grande respeito pelas mãos do sacerdote. Dizia frequentemente:
«Se me acontecesse […] encontrar ao mesmo tempo um santo vindo do céu e um sacerdote pobrezinho, saudaria primeiro o sacerdote, correria a beijar-lhe as mãos e diria: “Um momento, por favor, São Lourenço, porque as mãos deste tocam o Verbo da Vida e possuem um poder sobre-humano”.»[43]
Francisco vai ainda mais longe: segundo a Legenda do Anónimo Perusino, pede aos seus irmãos que, se encontrarem um sacerdote montado a cavalo, beijem não apenas a mão ao sacerdote, mas também as patas do cavalo em que ele for montado.[44] Embora num estilo de “florinha”, essa história revela bem a reverência que São Francisco tinha para com os sacerdotes, «ministros de Deus».[45]
Conclusão
Viver o sacramento da Eucaristia ao jeito de São Francisco implica não só a comunhão do Corpo e Sangue do Senhor, a adoração silenciosa e amorosa do santíssimo Sacramento, o cuidado com as igrejas e os objectos sagrados e o respeito pelos Sacerdotes – como também a opção pelos pobres e marginalizados, imagens do Menino frágil evocado em Greccio, sempre presente no seio de quem pratica o Bem e anuncia a Paz.
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Frei Hermano Filipe, OFMCap.



...
[5] Cf. 1 R 6,3.
[6] Igreja CatólicaCatecismo Igreja Católica. 2ª ed. Coimbra: Gráfica Coimbra, 1999, n. 1413, p. 365.
[7] Cf. Mt 28,20. Jesus assegura a sua presença, por meio de sinais, no seio da Comunidade unida na Caridade.
[8] Cf. EP 6.
[9] Cf. EP 56-57.
[10] Cf. TC 57; 1 C 62; 2 C 8.
[11] Cf. Mt 18,20. Jesus é apresentado por Mateus como Senhor da Comunidade, Emanuel, o Deus connosco.
[12] Cf. Mt 25,31-46. Ver também Mc 9,36-37.
[13] Cf. Jo 6,48-58.
[14] PPN 6.
[15] Cf. 1 C 84.
[16] Ex 1,21.
[17] Ex 1,19.
[18] MARTINS, José Saraiva – Eucaristia. Lisboa: Universidade Católica, 2002, p. 146.
[19] 2 C 201.
[20] Cf. 2 C 201.
[21] Cf. 1 CCt 6.
[22] Cf. CO 30-31.
[23] LM 9,2.
[24] Cf. IRIARTE, Lázaro – Historia Franciscana. Valência: Editorial Asis, 1979, p. 151.
[25] Cf. 1Pe 3,22.
[26] KOSER, Constantino – O Pensamento Franciscano. 2ª ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1998, p. 184.
[27] Ibidem, p. 182.
[28] CO 12.
[29] Martins, José Saraiva – Eucaristia. Lisboa: Universidade Católica, 2002, p. 147.
[30] Cf. T 5. Desde há muitos anos, existe a tradição, nalguns Conventos Franciscanos, de rezar todo o versículo 5 do Testamento, que a seguir transcrevemos, cada vez que se entra na capela da comunidade ou numa outra igreja: «Adoramos-te, santíssimo Senhor Jesus Cristo, aqui e em todas as tuas igrejas que estão por todo o mundo, e te louvamos, porque pela tua santa cruz remiste o mundo».
[31] PELVET, Jean – Fé e Vida Eucarísticas. In A Espiritualidade de Francisco de Assis. Braga: Editorial Franciscana, 1993, p. 105.
[32] TC 8.
[33] Cf. LP 18; EP 56.
[34] 2 C 201.
[35] 1 Cor 11,27-29.
[36] 2 CF 1.
[37] CGP 1.
[38] Cf. CO 12.
[39] Cf. CCl 1.
[40] Cf. CO 14.25.
[41] Iriarte, Lázaro – Vocação Franciscana. Petrópolis: Editora Vozes, 1976, p. 41.
[42] 2 C 146.
[43] 2 C 201.
[44] Cf. AP 37.
[45] 2 C 8.

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siglas utilizadas:

Escritos de São Francisco:
1 CCt – Primeira Carta aos Custódios
1 R – 1ª Regra (Regra não bulada)
2 CF – Carta aos Fiéis (2ª redacção)
CC – Cântico das Criaturas (ou do Irmão Sol)
CCl – Carta aos Clérigos
CGP – Carta aos Governantes dos Povos
Ex – Exortações
CO – Carta a toda a Ordem
PPN – Paráfrase do Pai Nosso
T – Testamento

Biografias:
1 C – Tomás de Celano, Vida Primeira
2 C – Tomás de Celano, Vida Segunda
AP – Legenda do Anónimo Perusino
EP – Espelho de Perfeição
Fl – Florinhas de São Francisco
LM – São Boaventura, Legenda Maior
LP – Legenda Perusina
TC – Legenda dos Três Companheiros




O texto original achei aqui: 



Oração a Jesus no tabernáculo

Ó Deus escondido na prisão do tabernáculo! é feliz que volto para perto de vós todas as noites, para vos agradecer as graças que me concedestes e implorar o perdão das faltas que cometi durante o dia que acaba de passar como um sonho...


Ó Jesus! como eu ficaria feliz se tivesse sido bem fiel, mas pobre de mim! muitas vezes fico triste, à noite, pois sinto que poderia ter correspondido melhor às vossas graças... Se eu fosse mais unida a vós, mais caridosa com minhas irmãs,


mais humilde e me mortificasse mais, teria menor dificuldade para conversar convosco na oração. No entanto, ó meu Deus! bem longe de desanimar vendo minhas misérias, venho a vós confiante, lembrando-me de que: "Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes". Eu vos suplico, pois, a cura, o perdão, e me lembrarei, Senhor, "que a alma à qual perdoastes mais deve também amar-vos mais que as outras!..."Ofereço-vos todas as batidas de meu coração como outros tantos atos de amor e de reparação, e os uno a vossos méritos infinitos. Suplico-vos, ó meu Divino Esposo, que sejais vós mesmo o Reparador de minha alma, que opereis em mim sem levar em conta minhas resistências, enfim, já não quero ter outra vontade senão a vossa; e amanhã, com o auxílio de vossa graça, recomeçarei uma nova vida da qual cada instante será um ato de amor e de renúncia.


Depois de vir, assim, todas as noites ao pé do vosso Altar, chegarei finalmente à última noite de minha vida; então, começará para mim o dia sem ocaso da eternidade em que repousarei, sobre vosso Divino Coração, das lutas do exílio.


Assim seja.
Santa Teresinha do Menino Jesus da Santa Face
(Obras Completas, Loyola, p.1039-1040)